PADRÃO DOS DESCOBRIMENTOS EM BELÉM, LISBOA

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O homem:

O Infante D.Henrique foi um dos filhos de D.João I e de D.Filipa de Lencastre, neta de Eduardo III de Inglaterra e senhora de invulgares preocupações culturais. Ela fez dos filhos, no dizer de Camões, a “ínclita geração”. D.Duarte, escritor e político; D.Pedro, de cujas viagens se formou lenda, compôs um tratado sobre moral “A virtuosa Benfeitoria”; D.Fernando que o cativeiro tornou mártir; D.Henrique, calado, tenaz, disciplinado e duro que foi o propulsor dos descobrimentos. Nasceu em 1394 e morreu em 1460, deixando ao partir um mundo mais vasto, diferente e aberto às mais estranhas influências. Ele vai “o Navegador”, caracterizar a sua época com a expansão ultramarina, a resolução do problema europeu do comércio do Oriente, a revolução da ciência de navegação e náutica. O Infante D.Henrique lançou Portugal para uma aventura única na História e marcou para sempre a cultura e a vocação além-fronteiras dos Portugueses.

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O Monumento:

Há na história dos descobrimentos marítimos uma magia tão especial que leva historiadores, escritores, poetas e gentes a nela se debruçarem, a quererem desvendar o rosto das estátuas, os símbolos inscritos nas pedras a buscarem a localização da vila do Infante, a viverem no eco da primeira bandeira, o primeiro padrão, o primeiro desembarque. Portugal abriu rotas, marcou o mar desconhecido com direcções e rumos, deu nome a terras, ilhas, cabos, ventos e tempestades. País de marinheiros e pescadores, aconchegado ao mar que lhe dava a aventura que a fronteira com a Espanha, obviamente lhe negava, Portugal só tinha e uma porta e uma saída, e ela desenhava-se numa maré que uma quilha rompia. É esta a mensagem que perpassa como um todo do belo Monumento aos Descobrimentos. Rostos virados à lonjura, nau erguida em desafio a toda a simbologia de marinheiros, cartógrafos, capitães e letrados, um povo inteiro entregue à voragem do desconhecido e ao alibi da expansão da Fé. Era um país pequeno que se multiplicava por terras muitas vezes maiores que o território de origem era um mercado de especiarias e ouro e sedas exóticas, era o Poder de um reino que, longe de mais para ser sonhado, assim era reconhecido. Foram várias as tentativas e “decisões” para a construção de um monumento ao Infante D.Henrique, que ao mesmo tempo louvasse o Homem e a epopeia marítima por ele iniciada. Dois primeiros concursos, em 1933-35 e 1936-38, foram cancelados, apesar de amplamente concorridos por autores de nome, nacionais e estrangeiros. Dezasseis anos mais tarde, em 1954 com um orçamento de 35 mil contos e um vasto júri, de novo se abre a quarenta e nove projectos o desafio desta homenagem. É então premiado o estudo de João Andresen com a escultura de Barata Feyo. Ainda desta vez, porém, faltou a decisão governamental, e só em 1958 veio a ser deliberado erguer em Belém, com um orçamento reduzido a metade o Padrão dos Descobrimentos de Cottinelli Telmo e Leopoldo de Almeida. Leopoldo de Almeida gravou na pedra trinta e dois reis, navegantes, frades, sábios e conquistadores, que em duas rampas confluentes avançam para o Infante, que se ergue em desafio à proa de uma caravela. Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Corte-Real, Fernão de Magalhães, Álvares Cabral, Vasco da Gama, Zarco, Gil Eanes, Afonso de Albuquerque, Pedro Nunes, Camões, Nuno Gonçalves, os Infantes D.Pedro e D.Fernando, D.Afonso V e Dona Filipa de Lencastre, e outros vultos da época, repetem uma iconografia associada aos feitos que o centenário festejado comemorava e que ilustra os valores relembrados pelo Estado Novo. Inaugurado em 1960 para comemorar o V centenario da morte do Infante D.Henrique, a obra foi concedida pelo arquitecto Cottinelli Telmo, com estatuária de Leopoldo de Almeida. O escultor nasceu em Lisboa no ano de 1898 e cursou a Escola de Belas Artes, tendo completado estudos em França e Itália. A obra moderna, de estilo sóbrio e raro detalhe artístico é, com algumas outras assinadas pelo mestre, a marca de um estilo. São dele “O Fauno”, “O Vencido”, D.João I”. O escultor faleceu em Lisboa a 28 de Abril de 1975.

do livro: Lisboa de Pedra e Bronze- A estatuária no caminho da cidade; Luis Leiria de Lima e Isabel Salema; DIFEL editora

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The monument:

There is such a special magic about the history of maritime discoveries that it makes historians, writers, poets and others want to become involved in them, to unmask the faces of the statues, te symbols engraved on stone, to search for the place where the Infant lived, to share in the glory of the first flag, the first stone monument, the first disembarkation. Portugal opened up sea routes she marked he unknown seas with directions and courses, gave names to lands, islands, capes, winds and storms. A nation of sailors and fishermen, living close by the sea that supplied the adventure her frontier with Spain obviously denied her, Portugal had only the one outlet, one route to follow and the way was drawn on the sea by the keel of a ship. This is the message symbolised in the splendid monument to the Discoveries. Faces turned towards the distance, a ship lifting to the challenge and all the symbolism of sailors, cartographers, captains and learned men, a whle nation rendered to the unknown and to spreading of the Faith. She was a small country that multiplied herself over lands many times larger, a marketplace fo spices and gold, and exotic silks, kingdom whose power, out of dreaming, was recognised everywhere. Many where the attempts made and decisions taken for the construction of te monument to Prince Henry which would, at the same time, praise the man and the maritime epic initiated by him. The two first bids for tenders for the design, in 1933-35 and 1936-38 came to nothing in spite of being extensively competed for by well-known designers, both national and foreign. Sixteen years later, in 1954, with a budget of thirty-five millions portuguese money (about 175.000euro) and a large jury, forty-nine further designs for this great tribute were submitted. At last, the design chosen was won by João Andresen with Barata Feyo as sculptor. However, even on this occasion the final governmental apprval was missing and it was only in 1958 that it was decided to erect in Belém, with a budget reduced by half, the stone monument to the Discoveries by Cottinelli Telmo and Leopoldo de Almeida. Leopoldo de Almeida carved out of the stone the figures of 32 kings, navigators, monks, learned men and conquerors which, on two confluent ramps ascend towards the Prince, who stands challengingly on the prown of a caravel. Diogo Cão, Bartolomeu Dias, Corte-Real, Fernão de Magalhães, Álvares Cabral, Vasco da Gama, Zarco, Gil Eanes, Afonso de Albuquerque, Pedro Nunes, Camões, Nuno Gonçalves, the Princes D.Pedro and D.Fernando, D.Afonso V and Queen Phillippa of Lancaster and other figures of the period represent an image associated with the feats which the centenary commemorated and illustrates the remembered glory of that period. Inaugurated in 1960 to commemorate the fifth centenary of the death of Infante D.Henrique, the monument was design by Cottinelli Telmo, the sculptor being Leopoldo de Almeida. The sculptor was born in Lisbon in 1898 and attended the School of ine Arts, completing his studies in France and Italy. This modern work, sober in style and of rare artistic detail is, like some of the master’s other works, the hallmark of a style. Other works by the same artist are “The Fawn”, “The Vanquished”, “D.João I”. The sculptor died in Lisbon on 28 April 1975.

from the book: Lisboa de Pedra e Bronze- A estatuária no caminho da cidade; Luis Leiria de Lima e Isabel Salema; DIFEL editora